Até quando?
Até Quando, Senhor? — Uma Carta Aberta de um Coração Cansado
Hoje não escrevo apenas com palavras — escrevo com o peso de um coração ferido.
Acordamos, abrimos os noticiários… e lá estão elas novamente: histórias que não deveriam existir. Histórias que rasgam a alma, que tiram o sono, que fazem o peito apertar sem aviso. E então, quase que involuntariamente, surge a pergunta que ecoa no mais profundo do ser: até quando?
Até quando veremos a maldade crescer como se fosse algo comum?
Até quando o sofrimento dos inocentes será apenas mais uma manchete esquecida no dia seguinte?
Até quando, Senhor?
Sabemos — sim, sabemos — que o pecado entrou no mundo. Que desde a queda, a dor passou a caminhar ao lado da humanidade. Mas há momentos em que parece que ultrapassamos todos os limites imagináveis. Como se a consciência tivesse sido silenciada. Como se o amor tivesse sido abandonado no meio do caminho.
Crianças clamando por socorro… e ninguém ouvindo.
Pais sendo impedidos de proteger… e decisões sendo tomadas friamente.
Mães tirando a vida de seus próprios filhos… e o mundo seguindo como se fosse apenas mais um caso.
Não, não é apenas mais um caso.
É uma ferida aberta.
É um grito que sobe aos céus.
É a humanidade se perdendo de si mesma.
E então nos perguntamos: onde está a justiça?
A quem recorrer, quando até aqueles que deveriam proteger parecem falhar?
Como confiar, quando a verdade parece ter preço?
Vivemos dias em que o medo bate à porta — e, às vezes, entra sem pedir licença. Já não é apenas a violência das ruas… é a violência silenciosa dos golpes, das mentiras, da maldade disfarçada. Feridas invisíveis, mas profundas. Feridas que não sangram por fora, mas destroem por dentro.
E no meio de tudo isso, ainda tentamos viver. Ainda tentamos acreditar. Ainda dobramos os joelhos e oramos.
Mas até a oração, às vezes, vem carregada de lágrimas e perguntas:
Senhor, o que posso fazer?
O que está ao meu alcance, diante de um mundo tão quebrado?
Até quando permitirás que os pequeninos sofram?
A Tua Palavra nos lembra que aquilo que fazemos aos mais pequenos, é a Ti que fazemos. E essa verdade pesa… porque revela o quanto temos falhado como humanidade.
Mas, ainda assim… em meio ao caos, há algo que resiste.
A fé.
Uma fé, às vezes cansada, às vezes silenciosa… mas ainda viva.
Uma fé que não entende tudo, mas se recusa a desistir.
Uma fé que continua dizendo: Deus ainda é justo. Deus ainda vê. Deus ainda virá.
Talvez não possamos mudar o mundo inteiro.
Talvez não possamos impedir todas as injustiças.
Mas podemos decidir não nos tornar parte da escuridão.
Podemos ser luz — ainda que pequena.
Podemos proteger — ainda que poucos.
Podemos amar — ainda que em um mundo que desaprendeu a amar.
E enquanto o mundo grita em dor… que nossas vidas também gritem, mas de outra forma: com justiça, com compaixão, com verdade.
Porque, no fim, a pergunta “até quando?” não é apenas um clamor de desespero —
é também uma declaração de esperança.
Esperança de que um dia, não haverá mais lágrimas.
Esperança de que a justiça não falhará.
Esperança de que o mal não terá a última palavra.
Até quando?
Até o dia em que o céu responder.
Servo Camargo

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