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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Carta a meu Pai

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  Hoje pela manhã percebi que tenho falado pouco de ti. Os anos vão passando e, a cada dia, as lembranças vão sumindo do nosso dia a dia. Lembro-me de como eu podia sentar em seu colo, que, diga-se de passagem, era duro e magro. Ainda recordo dos detalhes e sabia bem quando seus olhos estavam vermelhos; percebia que algo estava errado e lhe dava toda a privacidade de que precisava. Nesses últimos anos, muitas coisas aconteceram, e às vezes não ter alguém para compartilhar é uma tristeza que dói fundo. Hoje frequento a igreja em que meu filho é pastor. Tu ias gostar de ver o menino pregando como gente grande. Ainda há algo nele de garoto que precisa ser lapidado. Como se diz: quando era menino, fazia coisas de menino. Essa parte ainda está presente na vida dele, mas acredito que logo se tornará homem e deixará de vez as coisas de menino. Tenho dado aulas de teclado e de futebol e, por incrível que pareça, faço Uber. Na sua época não existia esse tal de Uber; é como se fosse um táxi...

Humanidade perdida

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  No fim da semana passada, eu recebi uma notificação de um advogado que tem uma causa minha na Justiça, informando que eu havia ganhado a causa e que, para receber o dinheiro desse suposto ganho, deveria passar por um “validador”, se assim posso chamá-lo, para que o mesmo realizasse o depósito que a Justiça havia designado. Eu, como um bom inocente, recebi a ligação, porém fiquei com a pulga atrás da orelha, pensando que talvez poderia haver alguma coisa errada, pois a causa em si já havia sido julgada e estava aguardando uma decisão de um juiz há algum tempo. Mesmo assim, acabei realizando todo o procedimento e entrei em algumas contas do suposto oficial de Justiça. Após o término da ligação, entrei em contato com o advogado correto e informei a ele o que havia ocorrido, e ele simplesmente me respondeu que já o haviam informado de que esse tipo de tentativa de fraude vinha acontecendo, usando esse mesmo número. Agora me digam: como pode um ser humano vasculhar seu nome, encontrar...

dores nossa de cada dia

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Hoje quero refletir sobre algo que está presente na vida de muitas e muitas pessoas e que tem me deixado a pensar sobre o assunto: a nossa amiga de sempre, a dor. Percebi, de tanto senti-la, que ela é algo particular, que não se pode mensurar a dor de alguém. Cada pessoa tem a sua maneira de passar pela dor. Temos a dor física, mental, amorosa, sentimental; todas elas, às vezes, têm o mesmo sintoma: querer se isolar. Quanto menos se fala, melhor; quanto mais se afasta, não é preciso compartilhar a sua dor com ninguém, e a sua dor é somente sua. Às vezes, a pessoa é julgada por aqueles que fazem parte de seu círculo íntimo, e até mesmo eles não apoiam, somente criticam a sua situação, como se a sua dor fosse apenas uma invenção para justificar a sua cara fechada ou algo parecido. A dor muda o humor, mas, mesmo com ela, as tarefas diárias continuam no mesmo lugar e precisam ser feitas. Ao realizar cada tarefa, você sabe que precisará de um repouso a mais para poder se recuperar do dia a ...