Humanidade perdida

 


No fim da semana passada, eu recebi uma notificação de um advogado que tem uma causa minha na Justiça, informando que eu havia ganhado a causa e que, para receber o dinheiro desse suposto ganho, deveria passar por um “validador”, se assim posso chamá-lo, para que o mesmo realizasse o depósito que a Justiça havia designado. Eu, como um bom inocente, recebi a ligação, porém fiquei com a pulga atrás da orelha, pensando que talvez poderia haver alguma coisa errada, pois a causa em si já havia sido julgada e estava aguardando uma decisão de um juiz há algum tempo.

Mesmo assim, acabei realizando todo o procedimento e entrei em algumas contas do suposto oficial de Justiça. Após o término da ligação, entrei em contato com o advogado correto e informei a ele o que havia ocorrido, e ele simplesmente me respondeu que já o haviam informado de que esse tipo de tentativa de fraude vinha acontecendo, usando esse mesmo número.

Agora me digam: como pode um ser humano vasculhar seu nome, encontrar o seu processo e tentar extorquir seu dinheiro de uma forma tão sacana, ainda utilizando meios legais, fazendo-se passar por agente da lei para tirar o pouco que você tem? Aí entra a questão de não poder acreditar em mais ninguém, viver escondido, sem atender ligações, sem poder saber se o que você vê é verdade ou não. Aonde chegamos? A tecnologia nos trouxe pessoas que só querem tirar seu dinheiro, lhe vender falsas ilusões, e eu entro num círculo sem fim e fico me perguntando: até quando, SENHOR? Até quando vai permitir que os ímpios prevaleçam sobre nós, fazendo mazelas a cada dia, nos assolando, e nada, nenhuma justiça, recaia sobre eles? Responda-me, Deus, até quando?

Servo Camargo


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