viagem a Goiás

 


Depois de 30 anos resolvi visitar os parentes do lado de meu pai. Ele já havia falecido há 31 anos, e achei que já era tempo de realizar essa visita.

Saímos no fim do dia de um domingo, com previsão de chuva na parte da tarde. Participamos do culto e, assim que terminou, pegamos a estrada. O objetivo era dirigir 400 km e, nesse primeiro dia, conseguimos chegar a Londrina, e ficamos em um hotel na beira da estrada. Por incrível que pareça, eu já havia ficado nesse hotel na época em que ainda era funcionário da companhia telefônica. O mesmo era bem próximo de um shopping, e foi onde jantamos, e após a janta tomamos um sorvete.

Na manhã seguinte, após um belo café no saguão do hotel, pegamos novamente a estrada. Diferente do domingo, na manhã de segunda estava um dia chuvoso, e para a maioria dos motoristas de plantão não gostam de viajar com chuva, mas era necessário continuar a viagem, pois tínhamos dia marcado para entrar na pousada em Rio Quente, Goiás. O objetivo era dirigir o máximo possível até onde o corpo pudesse aguentar, e assim foi o segundo dia de viagem.

Optamos em pegar a BR-153, e que escolha foi essa. Era a rota de caminhões que escoam a safra de Goiás, Tocantins e até Mato Grosso, e eles se sentem literalmente donos dessa rota. Uma estrada pedagiada e mal conservada, buracos e mais buracos, caminhões que querem quase passar por cima de você. Pegamos essa rota até as 18:00 praticamente sem parar. Chegando ao fim da noite a chuva retornou e os caminhoneiros, chegando o fim do dia de luz natural, parece que ficam loucos, acumularam, parecia que saíam de ralos de tantos que tinham na estrada naquele momento.

Tomamos a decisão de parar, pois já fazia quase 10 horas de volante sem parar, e saí da estrada para retornar à cidade de Prata, em Minas Gerais, e por surpresa divina olhei para o lado e avistei um hotel bem na beira da estrada. Verifiquei o quarto e o mesmo era agradável para se passar a noite, e o mesmo ainda fornecia janta e café da manhã, e foi uma ótima pedida, pois não havíamos almoçado e o que tínhamos era somente o café pela manhã no hotel.

Passamos uma noite tranquila e, no dia seguinte, retornamos à estrada, e sem chuva, o que já era uma maravilha. Chegamos na cidade de Rio Quente mais cedo do que necessário, e decidimos ir ao centro da cidade, em uma bela praça que era o auge da cidade. Nessa praça havia um restaurante de prato feito, que foi onde almoçamos para esperar o momento de adentrar na pousada.

Interessante que os supermercados nessa cidade fecham na hora do almoço, mas conseguimos uma frutaria e um açougue, onde compramos o que era necessário. Entrando na pousada, nos alojamos e seguimos para a piscina quente e para um rio quente, que era uma verdadeira terapia para o corpo. Nesse mesmo dia decidi não ir mais visitar os parentes de meu pai na cidade de Rio Verde, e passamos 3 belos dias curtindo água quente, comida boa e uma boa cama para relaxar.

No dia de retornar para casa, já pegando a estrada, o coração falou mais alto e acabei decidindo ir até Rio Verde. Interessante que nessa viagem pegamos um caminho paralelo que parecia que estávamos em uma estrada americana, tipo filme, andando em meio a plantações de cada lado. Havia poucos caminhões nesse trajeto e a viagem foi tranquila, lembrando que nesse dia também não pegamos chuva na estrada, e sem chuva a tensão diminui bastante.

Chegando na cidade, pegamos o endereço e eu, como sempre, somente peguei o nome da rua sem colocar o bairro. Lógico que na mesma cidade tinha que ter uma mesma rua em bairros diferentes, e como é a Lei de Murphy pegamos a rua e o bairro errado. Logo corrigimos o nome do bairro e chegamos na casa da tia Maria.

Ela nos recebeu com um sorriso singular, e nesse dia já revi primos que não via há 30 anos, filhos de primos que nunca tinha cruzado na vida. Em 30 anos a coisa muda muito. O bairro onde meus parentes moravam agora era um bairro chique, parecia uma magia de filme, a cidade era outra, nada do que eu havia visto anos atrás. Que bom que o tempo fez valorizar onde eles moram hoje, foi um investimento a longo prazo.

Revi muitos tios, conversei com todos, foram 2 dias de relembrar o passado e sonhar com o futuro. Infelizmente nem tudo são flores, uma das minhas tias está com câncer em estado avançado, e na visita vimos a fragilidade em que seu corpo está. Tivemos a oportunidade de orar por ela e passar um tempo ali com eles.

No sábado muitos primos passaram para nos ver e deixar seu abraço. A Leny ficou bem sensibilizada com a situação da tia, e oramos pela melhora dela. Ainda tinha o retorno para casa, que era mais 1200 km. Na conversa com um de meus primos ele me ajudou a escolher uma rota que nos levou até a estrada de Mato Grosso do Sul. Essa rota foi bem diferente, novamente dentro de fazendas, e o retorno levou mais 2 dias.

Aprendemos que o Google Maps nos leva a caminhos fora do mapa, e que o Waze usa rotas mais oficiais.

Quando chegamos em casa, o corpo sentiu todo o cansaço e fadiga dos dias na estrada, mas para mim foi um desafio que precisava, pois dirigir 10 a 11 horas por dia não é para qualquer um. Só agradeço a Deus por toda a viagem sem problema algum no trajeto, agradeço por rever os parentes, todos os primos de primeiro grau aposentados, e os demais trabalhando, e todos com saúde. Revi a tia Luiza, que mora em Mato Grosso. Deus e seus mistérios.

Ainda me recuperando da longa jornada.

Servo Camargo.

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